Ainda em Torno do “Efeito Lusa”
» Carlos José Teixeira em Mai 2, 2008 arquivado em informação
Eu diria, fazendo deste post um acto de contrição, que o efeito Lusa de que se fala, é contraproducente no mundo jornalístico ou da informação online, bem como na blogoesfera e internet em geral. Mas pensando bem, a suposta democracia da Web 2.0 não passa de um emaranhado de infuências que permitem, mediante a utilização de obscuros logaritmos que o Google, o Digg, o Twitter, entre outros, utilizam para determinar quem “manda”, afinal nisto tudo. Assim, considerando que a blogoesfera, particularmente, se trata de uma longa conversa, não existe interesse algum na réplica de conteúdos, muito pior na réplica de conteúdos não confirmados na fonte possível.
Não é raro ver-se uma matéria escrita em dezenas de blogues, todos eles dizendo a mesma coisa, salvaguardada a escolha semântica que cada um dos escritores faz. Embora se possa pensar, numa primeira análise, que não vem daí grande mal ao mundo, a realidade é que é assim que se “geram verdades” que, numa segunda leitura, retornam como “enganos”, muitas das vezes molestadores de outrém ou, no mínimo, do leitor que lhe dedicou tempo e não obteve o retorno que esperava. Por outro lado, a confirmação na fonte possível, permite um contacto directo com a notícia e o seu consequente desenvolvimento por parte do blogguer que a ela dedica um post.
Se bem que esta forma de abordagem de uma informação, permitindo o seu enriquecimento por via da inclusão de observações e opiniões de quem a publica, permita também a sua manipulação dirigida a um objecivo - coisa que, de resto, é possível mesmo na informação tradicional - , permite, sobretudo, a conversa acerca do assunto, de forma responsável e honesta. Não basta “seguir” os favorecidos pelo logaritmo. É necessário e saudável que cada um de nós acrescente uma acha à fogueira.
A realidade da web 2.0 é que uma ínfima percentagem de utilizadores dita os conteúdos que os restantes comentam e ligam nos seus blogues. A facilidade das hiperligações assim o dita e a necessidade de actualização dos blogues [especialmente por parte dos mais “verdes”, ainda possuídos pela “febre” da publicação], assim o determina. Por fim, a ditadura das audiências, também por aqui visível, a isso o obriga. É desta forma que a criação na blogoesfera tem dedicado a maior parte do seu tempo, não à conversa e às opiniões originais acerca do que outros escrevem, mas sim à cópia exaustiva de tudo quanto possa significar um post a contribuir para uma boa localização nos resultados de busca e rankings diversos. Procura-se a hiperligação em detrimento da função de meta-informação, a que é mais distintiva deste sistema de comunicação.
Mas, afinal, o que fazer em relação ao assunto, uma vez que, claro está, é impossível escapar à ditadura do logaritmo e os bons resultados dependem, em muito, da forma como abordamos esta relação? Isto é, como faço para que este blogue surja conceituado e lido pelo seu conteúdo e isenção, pela independência em relação à teia de influências característica do meio? Ou ainda, o que fazer para conseguir estabelecer uma relação com os leitores baseada na originalidade e sem recurso a ligações aos “conceituados”, apenas com o sentido no ranking? Responda quem souber.

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