Comunicação Escrita | Escrita de Negócios: Tempo de Mudar
» Carlos José Teixeira em Mai 14, 2008 arquivado em organizacional
James D. Robinson, antigo CEO da American Express, via Lee Woods
A comunidade de negócios é raramente distinguida pela excelência da comunicação escrita, principalmente porque as pessoas que a praticam diariamente não são escritores profissionais. Cartas, e-mails, propostas, apresentações, relatórios, etc., continuam infectados por uma linguagem rebuscada, victoriana.
Enquanto as pobres habilidades de composição conrinuam a erodir a qualidade da escrita em si, uma das mais corrosivas forças actuais é a sindrome Federal Express, ou “quando tem que, absoluta e positivamente, que enviá-la antes de poder torná-a inteligível”.
O ritmo de trabalho do séc. XXI, o e-mail, o software de correcção editorial rápida, estão a descarrilar a necessidade de pensar. Condicionados pela vida de pressa diária, cada vez mais trabalhadores enviam mensagens em formatos fragmentados ou rapidamente plagiando fontes não verificadas. Os prazos ditam os conteúdos, o expediente dita as regras do momento.
A linguagem sempre teve guardiães, pessoas que trabalham para preservar a sua herança, mas no mundo dos negócios existem muitos que nunca trabalharam sequer. São aqueles que perpetuam a escrita pobre porque não reconhecem erros. E temos que viver debaixo da sua supervisão pois eles tâm a autoridade de dizer o que deve ser dito. Não são escritores, não são comunicadores, e as suas prioridades raramente incluem o eficaz uso da linguagem.
Caber-nos-á sempre a nós o exorcismo do mal e a preservação do bem. Podemos apenas esperar que, com o auxílio de educadores por toda a parte, uma nova geração de profissionais venha a ocupar os escritórios de amanhã, gente que tenha aprendido que a habilidade de comunicar eficazmente é uma qualificação, não uma opção.
Novos comunicadores e comunicadores veteranos continuam a procurar formas de demonstrar o seu valor a gestões apáticas. Os comunicadores são frequentemente conotados como “bagagem” no local de trabalho, pessoas cujos contributos têm pouco ou nenhum efeito nos resultados.
Os gestores seniores, que habitualmente medem o sucesso em termos quantitativos, escutar-nos-ão apenas quando pudermos demonstrar-lhes que uma comunicação direccionada contribui de facto para o sucesso da companhia. Para isso, temos de arranjar meios de demonstrar que uma boa escrita é inportante, e não algo para ser deixado para escritores profissionais e editores sentados a um canto.
“Deve haver uma mudança na atitude em relação à função, poder e papel das comunicações. É demasiadamente importante para ser deixado apenas aos comunicadores profissionais. Trata-se de um trabalho de todos.”

Olá Carlos,
Não posso concordar mais com o conteúdo do artigo que transcreve, da autoria de James D. Robinson.
A questão é mesmo, nalguns casos dramática, porque temos empresas que pretendem passar uma imagem de modernidade e acompanhamento do tempos, mas continuam a demonstrar um «apego filial» às velhas fórmulas, desperdiçando a opotunidade de, através de dezenas de meios (cartas, relatório, e-mails, faxes….), transmitirem a tão almejada «imagem de modernidade».
Trata-se de uma luta, porque existe uma classe de «funcionários» e «dirigentes» que se abandonarem esses formulários sentem que perdem alguma coisa - provavelmente a falsa impressão de pertencer a uma «elite de iniciados» aos quais estavam reservados os «segredos de bem escrever em linguagem de negócios».
Aos que são comunicadores profissionais e aos «outros», p.f. adoptem uma linguagem mais simples, mais transparente e mais condizente com as necessidades, a celeridade e os meios, que a vida organizacional «exige».
E já agora posso sugerir um livro que defende precisamente estes princípios:
Correspondência em Português - Comunique de forma eficiente - da Porto Editora (2006) - peço desculpa pela imodéstia, mas sou a autora e tenho vindo a defender e a formar pessoas de acordo com estes princípios.
Arminda Sá Sequeira
arminda sá sequeira | Mai 26, 2008 | Responder
Bem vinda!
Este é, realmente, um tema da sua preferência e conhecimento.
É como diz: ainda existem uns quantos que parecem querer proteger-se da modernidade e dos tempos ao abrigo de um jargão que mais parece vindo de uma religião obscura que de uma organização. Escondem assim a sua incapacidade de enfrentar os tempos modernos…
Mas espero que venha a mudar… espero.
Eu recordo-me ainda de muitas das fórmulas que se utilizavam na escrita aos parceiros da empresa onde comecei a trabalhar, em 1980. Coisas como “Mui estimado Senhor” ou “Sem mais, passamos a aguardar ansiosamente as Vossas prezadas notícias…”.
E, no entanto, não consigo deixar de pensar que as coisas não modificaram lá muito.
Numa época em que o texto escrito está a passar por uma autêntica revolução [veja-se o caso do Twitter, uma ferramenta de micro-blogging que obriga a dizer as coisas em 140 letras, ou a “linguagem SMS“], parece haver uma resistência absurda desses que se escudam em frases longas, fastidiosas, escritas à pena por um amanuense perdido no meio do pó.
Mas o pior é que não me surgem alternativas. Veja-se o que diz a ANETIE acerca do assunto, apesar das notícias relativamente optimistas vindas da Pew.
Bom… enquanto as coisas não andam para a frente, que tal enviar uma sinopse ou umas dicazinhas aqui para os leitores?
Grato,
Um abraço,
CJT
Carlos José Teixeira | Mai 26, 2008 | Responder