Media Social | Twitter

O Twitter visto pelo Alexandre Gamela, pelo Paulo Querido, pela Flávia Paluello… e por mim:

Alexandre Gamela publicou uma entrevista concedida a duas estudantes de Ciências da Comunicação da UTAD, entrevista onde fala da utilização desta ferramenta.

À semelhança do que eu faço - sendo, de resto, a minha principal utilização do Twitter, nos dois sentidos - colocou por lá um RSS que publica as últimas actualizações do seu blogue. Assim, é possível fazer uma espécie de “breaking posts”, numa actualização permanente, via TweeterFeed. A importância por ele atribuída à ferramenta, traduz-se no aumento de visitas ao blogue e ao número de contactos acrescidos. Segundo o autor do “O Lago“, o Twitter é semelhante a uma mesa onde as pessoas se organizam por proximidade ou a um jantar onde entramos e conhecemos os amigos, os amigos dos amigos e por aí fora, onde se trocam conversas que podem ir do mais trivial ao assunto mais complexo. Abordando o tema que lhe é mais querido, o jornalista acredita que o Twitter pode ser utilizado na actividade como ferramenta de breaking news, dando como exemplo o que aconteceu durante o terramoto na China. Assim, uma das principais funções do Twitter, segundo o autor, é a de agregar informação em tempo real, das mais diversas proveniências, tantas quantas as que pudermos subscrever e a possibilidade de comparar essa mesma informação.

Sendo um sistema mais rápido que o feed RSS, o Twitter permite a agregação de conteúdos, não só dos jornais, como da internet em geral. A actualização da notícia é automática, não exigindo intervenção da nossa parte. Podemos receber as actualizações no telemóvel ou no e-mail, sendo a sua rapidez e ubiquidade uma das principais características que fazem o Twitter tão aclamado pelo autor como uma ferramenta imprescindível aos jornalistas. Indo mais longe, cita Mathew Ingram, autor que afirma que o Twitter é o primeiro esboço da história. Recomenda a utilização do sistema e dos sistemas que vão sendo aperfeiçoados ou mesmo lançados para trabalhar em conjunto. Não se admira que os telemóveis, para o ano, tragam um botão Twitter. Esboça ainda o cenário próximo de troca de elementos multimedia e da sua colocação no GoogleMaps automaticamente, tal é a quantidade e velocidade das aplicações disponíveis.

Esta entrevista é comentada pelo Paulo Querido que aconselha a utilização do Twitter pelos jornalistas, senão em reportagem, pelo menos como ferramenta de crowdsourcing. O Paulo encanta-se sobretudo com a ubiquidade e com a rapidez de acontecimentos em torno o Twitter, que compara a um renascimento da web, “um laboratório, o Twitter é um micro-aquário onde podemos ver o big bang do efeito de rede e a propagação das suas ondas de choque, a sua evolução entrópica, é uma web à escala”.

A Flávia Paluello anota a criação de um novo utilizador, o @MicroPR, ideia de Brian Solis, divulgada no PROpenMic, que refere como uma oportunidade de os RP passarem informação aos jornalistas sem o perigo de passarem às blacklists. Aliás, a Flávia é mais uma das fãs incondicionais dos sites de media social e a primeira a querer vê-los a ser utilizados nas RP. É, portanto, um caso a seguir, espero que um destes dias saia um estudo cá para fora.

E eu? que penso acerca do assunto?

Para dizer a verdade, a coisa que mais gosto no Twitter é o facto de este ser automático. Isto é, não dá trabalho, as nossas coisas aparecem lá, as coisas dos outros também, sem compromissos, sem melgas. A sua aplicação ao nível do jornalismo poderá trazer frutos evidentes, bem como a sua aplicação nas relações públicas. Origina buzz e consegue gerí-los. Não sei, no entanto, se conseguirá corrigir uma eventual falha que um texto de apenas 140 letras transmitido e replicado exponencialmente a uma velocidade estonteante pode causar.

As mensagens que aparecem ininterruptamente das mais variadas fontes, quanto a mim, são de difícil digestão, dada a quantidade monstruosa de informação. Como não sei a melhor forma de a classificar, tal como faço nos agregadores de conteúdos, acabo por perder informação relevante e apanhar com muita “palha”.

Considerando o Twitter na sua globalidade, acredito ser uma ferramenta com um grande potencial de desenvolvimento e evolução, especialmente no que se refere à partilha de conteúdos multimedia. Aguardo a possibilidade [se inexistente] da procura intra-Twitter de conteúdos filtrados por tema, o que seria uma coisa espectacular. Já agora, se tal é possível, por favor digam qualquer coisa… O problema em dar uma opinião acerca do Twitter é, em primeiro lugar, estar tudo dito e, o que há por dizer, aparecer muito rapidamente, como em qualquer ferramenta em evolução. Depois, claro está, a minha falta de conhecimento de toda a potencialidade que aquilo tem. Mas há algo que gostaria de deixar assente:

Não há ferramentas milagrosas. O que conta, no fim, é o conteúdo. Porque, reparem, este post estará resumido a 140 letras dentro das próximas fracções de segundos, lá no Twitter. E são essas 140 letras que hão-de determinar se ele há-de ser lido na íntegra ou não. Nunca a pirâmide invertida ou um bom resumo teve tanta razão de ser.

6 Resposta(s)

  1. É isso mesmo, disseste tudo. Hoje em dia o mais importante é o Lead.
    Os bons comunicadores sabem tirar proveito do twitter (mesmo sem ter a noção exacta do Lead, pirâmide invertida, etc.) justamente pelo poder de resumo que são obrigados quando só dispõem de 140 caracteres.

    Flávia Paluello | Mai 16, 2008 | Responder

  2. Yeap!
    Por acaso, ando com alguma curiosidade em saber o que se passa com uma coisa em que uma professora minha andava a trabalhar: a legendagem para vídeo visionado em telemóvel e outros dispositivos portáteis de écrans de pequenas dimensões. Aquilo deve ser um pouco legendagem em SMS…
    Vou tentar saber.

    Abraço,
    CJT

    Carlos José Teixeira | Mai 16, 2008 | Responder

  3. Falha? eheh

    Carlos, eu acho que a limitação dos 140 caracteres é uma das principais razões do sucesso do Twitter. Sem a limitação, terias dez ou vinte vezes mais palavras (logo, tempo a lê-las) para transmitir a mesma mensagem. É soundbático, sem dúvida, mas a comunicação soundbyte já é parte integrante do ambiente informacional, mesmo fora do digital. Esse seu aspecto de redução ao essencial é um dos segredos.

    Tens ali menos palha, até porque uma boa gestão dos fluxos permite-te seguir apenas os relevantes e ignorar os gongóricos e os palhaços. O Twitter é fabuloso enquanto instrumento de crowdsourcing.

    Paulo | Mai 16, 2008 | Responder

  4. Paulo, eu não quis dizer que a falha esteja no facto de existirem apenas 140 letras. A falha pode é existir no texto enviado que, precisamente por vir a constituir um soundbyte, pode ser um sucesso… ou uma fatalidade.
    De resto, completamente de acordo!

    Agora, o meu problema é mesmo gerir os fluxos… mas não é sé no twitter.
    Information overload.

    Thanx!
    CJT

    Carlos José Teixeira | Mai 16, 2008 | Responder

  5. Yeap. Information overload. Mas o Twitter aí faz parte da solução, e não do problema :)

    Paulo | Mai 16, 2008 | Responder

  6. É natural que sim, mas é como digo acima: “…a minha falta de conhecimento de toda a potencialidade que aquilo tem.”
    Vou com calma… um dia ainda hei-de arranjar maneira de organizar o twitter, o greader, o bloglines, o newsgator… de forma a conseguir ler alguma coisa.
    Se as pessoas começassem a oferecer mais e-mails do RSS dava um jeitaço.

    Abraço,
    CJT

    Carlos José Teixeira | Mai 16, 2008 | Responder

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