Algum dia os Políticos terão que Confrontar a China
» Carlos José Teixeira em Mai 7, 2008 arquivado em direitos humanos

À medida que o Comité dos Jogos Olímpicos chineses vai desvendado as instalações construídas para o evento, a imprensa ocidental vai aumentando a cobertura, não só da aproximação dos jogos, como dos assuntos internos da China. Estes Jogos Olímpicos marcam a ascensão da China como potência comercial global, ameaçadora da dominância norte-americana nas políticas e economia globais. Enquanto isso, os Jogos de Pequim são uma lâmina de dois gumes: servem para divulgar a transformação económica da China, ao mesmo tempo que expõem os problemas latentes que têm sido ignorados pelo governo repressivo chinês. É com pena que se observa que o anfitrião de um evento que será visionado pelo mundo, falhe no reconhecimento e solução de problemas que a comunidade internacional vem, desde há muito, apontando.
No entanto, apesar dos recordes de violação dos direitos humanos por parte da China, alguns hesitam ainda na exigência da sua resolução por parte da justiça chinesa e internacional, por medo de retaliações com origem nas flutuações do comércio internacional. As condições de deterioração da China requerem audácia e políticas firmes por parte das nações líderes, que devem, inequivocamente, desaprovar a conduta do governo chinês, em vez de tentarem provar que a China encontrou finalmente o prestígio que aparenta.
Por alturas dos Jogos Olímpicos de Berlim em 1936, o governo nazi, entre alguns outros “actos de limpeza”, prendeu 800 ciganos e removeu os cartazes “os judeus não são bem vindos” que eram omnipresentes pela cidade. A China parece imitar os procedimentos ao prometer o desenvolvimento das condições de direitos humanos, conforme tem vindo a ser propagandeado. A par desta propaganda, repórteres da organização Repórteres Sem Fronteiras indicam a prisão pelo governo chinês de activistas dos direitos humanos e de jornalistas acusadores das suas práticas, abafando as dissidências em relação à sua política interna.
A presença dos representantes nacionais nos Jogos Olímpicos legitimiza as acções do governo chinês e falsamente cataloga a sua actuação como benigna para o seu povo. Os recentes acontecimentos de repressão no Tibete e as respostas da China às muitas controvérsias originadas estão sob o escrutínio internacional enquanto a China continua com a preparação dos Jogos. A contínua recusa do governo chinês em enfrentar a controvérsia impede os necessários progressos da região e contribui para o descontentamento geral. O alheamento dos representantes das nações em relação a estas e outras faces da política do governo de Pequim leva a que possam ser continuadas políticas de opressão política, de sinistros ambientais, de supressão de minorias étnicas e violação de direitos humanos.
Apesar das gentis chamadas de atenção ao governo chinês por parte de alguns governos em relação aos seus actos, a atitude de Pequim permanece autista. Os incidentes passados são evidência da ignorância propositada destes avisos por parte da China. Para além disso, a imposição de medidas drásticas, como embargos comerciais, deveria ser seriamente considerada, e não serem despachadas como simples ameaças sem fundamento. Embora o confronto com o governo chinês envolva sérios riscos políticos e económicos, a situação corrente na China soa como um eco do passado na Alemanha, durante a ascensão do III Reich, propagandeando a mudança positiva e solicitando aliados externos.
Os Jogos Olímpicos não são apenas um evento de entretenimento de massas que celebra as qualidades humanas da luta por uma meta. São também um inegável evento político que vive não só pelos seus mais directos participantes mas também através dos milhões que se lhes associam. Assim, é imprescindível que as nações, estando presentes, levem consigo toda a carga política e toda a coragem necessária para a pressão inequívoca ao governo chinês, esquecendo alguns dos factores condicinantes das relações industriais e comerciais globais. Está na altura de a política internacional se dedicar às pessoas.


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