Chief Blogger
» Carlos José Teixeira em Mai 5, 2008 arquivado em blogue corporativo

O artigo da Forbes, “Attack of The Blogs“, tinha já sido amplamente comentado pela blogosfera. Agora, Enrique Dans pega no artigo do Financial Week, “Virtual Reality: Chief Blogger Title Catching in with Corporations“, para sintetizar a importância desta ferramenta como arma de comunicação de marketing.Como explica Dans, o blogging leva já algum tempo de prática e entra no que se pode considerar um período de maturidade. As empresas, por seu turno, começam a considerar esta ferramenta em todo o seu potencial. As sua regras implícitas, o elevado poder comunicativo, a sua função de dar voz à empresa de uma forma humana, exigem já a procura de quem dê corpo à conversa, essa conversa contínua que se propaga exponencialmente Internet fora. É por isso que as empresas mais cotadas começam a procurar “Chief Bloggers” para dar conta do recado. E o que são, afinal, esses “Chief Bloggers”?
Os Chief Bloggers devem ser, antes de mais, pessoas com conhecimento da ferramenta em todas as suas vertentes. Podendo não se tratar de uma função a tempo inteiro, isso não implica, ainda assim, que o trabalhador escolhido para a função não tenha que evidenciar conhecimentos sólidos em todos os campos, desde a produção, edição e publicação de conteúdos, ao manuseamento das mais diversas ferramentas online [sociais e outras], bem como de SEO e SMO. Assim, o “Chief Blogger” poderá ser qualquer um que trabalhe na organização, desde um comercial ao director de topo, e que esteja ao corrente de todas essas envolventes.
Há algo que é incontornável neste trabalho: a plena concordância da administração e a colocação deste trabalho num plano estratégico. A não aceitação destes termos poderá redundar num fracasso e em enormes prejuízos para a imagem da organização. Como é fácil imaginar, a comunicação de uma organização, seja ela mantida da forma que for, deve obedecer a determinados parâmetros que a administração deve fazer conhecer de uma forma objectiva. Estes parâmetros adquirem especial relevo na utilização desta ferramenta, dada a interactividade que sugere. A “conversa” não é propriamente um canal formal de comunicação e, como tal, trata-se de uma importante ferramenta de auscultação da imagem e da opinião acerca desta, com todas as vantagens e riscos que esse feedback acarreta. Um blogue corporativo trata-se, não só dos conteúdos publicados pelo blogger, mas também da caixa de comentários e do e-mail do blogue.
Uma outra coisa importante a considerar nesta actividade é que, embora possa ser exercida por qualquer trabalhador da organização, com o passar do tempo pode vir a tornar-se um trabalho a tempo inteiro. Na realidade, manter um blogue corporativo, por si só, não é nada de mais, se considerarmos que se trata apenas de publicar um ou dois artigos por dia. No entanto, manter um blogue corporativo extravasa essa simples utilização. Coisas como “social networking”, “social bookmarking”, interactividade com outros blogues, respostas a solicitações e comentários, etc., transforma-se, assim, numa actividade que rapidamente absorve o dia por completo. É importante, por isso, que a administração pense cuidadosamente no género de “monstro” que pretende criar. As coisas, por aqui, tendem a ganhar tamanho muito rapidamente.
Por fim, uma pequena nota: nos artigos acima ligados, refere-se sempre o blogging como ferramenta de comunicação de organizações de grandes dimensões. Falamos das Fortune 500 e empresas do género. Parecem-me esquecidas as pequenas e médias empresas, para as quais o blogging representa um meio de comunicação efectivo e barato e ao qual deveriam aderir quanto antes. Creio mesmo que estas deveriam ser as empresas e organizações que a este meio deveriam aderir mais rapidamente e em força, dado que o tempo dispendido com o blogue é, por força do mercado em que actuam ser mais limitado, menor que o tempo dispendido no blogue de uma organização de tamanho considerável.
As PME, que lutam num mercado global adverso e cujos recursos são, grande parte das vezes, limitados, vêem-se numa realidade que as obriga a uma constante interactividade com os seus públicos, devendo utilizar para tal todos os canais de comunicação disponíveis. A diferenciação num mercado como é o de hoje é, para estas empresas, difícil de conseguir se não utilizarem a “conversa” como arma. As PME não podem esquecer que, mesmo sendo a “mercearia do bairro”, nesse bairro há quem esteja ligado à Internet e compre os produtos num site a milhares de quilómetros de distância, com disponibilidade de entrega e, sobretudo, mais barato. Não devem, também, deixar que as fortes imagens corporativas de empresas de dimensão considerável as ofusquem. De certeza que, a existirem, hão-de oferecer algo que mais ninguém oferece e hão-de ser capazes de evidenciar isso mesmo numa visita aos seus clientes ou numa conversa de café. Então, porque não conversarem neste enorme meta-café que é a blogosfera? Tão simples… Pensem nisso.

Simples e directo!
Concordo em género, número e grau.
Mas queria saber mesmo qual é a noção que as empresas aqui em Portugal de um modo geral têm da blogosfera. Queria ter é a visão das companhias e corporações.
Porque todos falam, mas percebe-se que muito poucos entendem realmente o que significa. Todo o trabalho envolvido, etc.
Acho que o texto está óptimo no que diz respeito às aplicações e potencialidades dos blogues e de como as empresas devem pensar em agir, parabéns!
FlaviaPM | Mai 5, 2008 | Responder
Olá Flávia.
Grato pelo comentário.
Embora não tenha dados suficientes para conseguir responder concretamente [nem sei, tão pouco, se existe um estudo fidedigno acerca do assunto], uma simples observação indica-me que, para além de não existirem praticamente blogues corporativos, a maioria dos poucos existentes não são - em minha opinião - eficazes. Alguns casos há em que os blogues, ditos corporativos, não passam de blogues pessoais em nome de empresa… por estranho que possa parecer.
As empresas que vão tentando os primeiros passos na utilização desta ferramenta caem no erro de pensarem que para isto basta um fulano “com jeito para a coisa” e, quando digitam o seu nome no Google, apanham um susto.
Daí que haja bastante desconfiança de todos os outros que, não utilizando, consideram que o blogue corporativo é uma perda de tempo, na melhor hipótese, ou uma pedrada em telhado de vidro na pior delas.
Tenho como opinião que tudo isto se deve um pouco, por um lado, à ainda relativamente pouca utilização da Internet e, por outro, ao facto de a blogoesfera ser considerada uma coisa de “quem não tem nada que fazer” - quando não pior. Bom… talvez, no início, isso fosse assim mas, a blogoesfera, como qualquer sistema, começa já a tratar as infecções do modo mais normal: criando anticorpos. É claro que, por cada anticorpo, lá aperecem mais uns virus. Mas isso vem com o negócio…
O que interessa frisar nos artigos que cito e, já agora, na minha opinião expressa no post, é que se torna necessário que as organização comecem a olhar para a blogoesfera como ela é na realidade: um sistema de conversa bastante avançado, com regras sociais e cujo principal objectivo - quero crer - é a partilha de informação. Só isso possibilita a existência conjunta de tantos interesses diversos, uns mais transparentes que outros,´só isso origina a que estejamos a ter esta conversa. E esta é possível num blogue corporativo.
Mas… o grande mas…
é que, neste artigo, tu concordaste comigo. E isso podia não ter acontecido. Podias mesmo ter-me dito coisas extremamente desagradáveis acerca de mim, do blogue ou da organização que, sendo um blogue corporativo, es estaria a representar.
Acho que é disso, sobretudo, que os gestores têm medo.
E não deveriam ter, sabes? Antes pelo contrário…
Abraço,
CJT
Carlos José Teixeira | Mai 5, 2008 | Responder
Excelente Blog Carlos… andava distraído, nunca tinha passado por aqui. Mas voltarei certamente.
Cumprimentos,
Pedro Rocha
PR | Mai 6, 2008 | Responder
:) Olá meu amigo!
Bons olhos o “vejam”!!
Desculpa estar a comentar aqui, mas lá na consigo.
Para ler o comunic’arte tenho de me alistar?
beijoquinhas
Pat | Mai 6, 2008 | Responder
Pedro:
grato pela visita.
Já passei pelo WIB e creio ser uma boa aposta! Está ganho mais um cliente.
Um abraço,
CJT
Carlos José Teixeira | Mai 7, 2008 | Responder
Pat, viva!
Sim, é necessária inscrição. “Aliste-se e venha conhecer o mundo”.
Trata-se de um “clube” [hummm…] dedicado à partilha e discussão de assuntos relacionados com a temática da comunicação.
Mais trabalho, portanto…
Quisses.
Carlos José Teixeira | Mai 7, 2008 | Responder
e tenho de ser activista? :)
Pat | Mai 7, 2008 | Responder