Está em fase de aprimoramento e actualização (ao sabor do tempo disponível) o RADAR, coisa feita no Tumblr e que mais dia menos dia passará a fazer parte do domínio. Uma experiência, portanto. Mas clique lá na imagem, aqui no post ou na barra lateral e veja do que se trata.
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Uma das principais objecções à constituição de um estatuto de blogger, código deontológico, directrizes éticas, ou o que lhe queiram chamar, parece ser o da possibilidade de limitação da liberdade de expressão e de pensamento.
Creio que essa é uma falsa questão e que, antes pelo contrário, a criação de tal código seria uma garantia dessa mesma liberdade.
Nunca se viu anteriormente tanta reacção negativa à prática do blogging por parte de todos os que teimam em conservar o poder da informação e comunicação nas suas mãos. Tentativas de supressão de direitos, eliminação de blogues, queixas e processos criminais, têm aparecido nos últimos tempos, tendo todos esses atentados à liberdade um denominador comum: o da pretensa falta de ética.
Por outro lado, a própria blogosfera contribui para a canibalização dessa liberdade, ao estruturar-se numa compartimentação ao sabor das influências, chegando por vezes mesmo ao ponto de ostracizar blogues que não fluam ao sabor da maré.
A minha ideia de código deontológico alberga determinados propósitos e objectivos que, a meu ver, poderão resolver alguns problemas com que os bloggers se deparam:
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A criação de um directório de blogues socialmente responsáveis;
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A consequente criação de um tipo qualquer de associação de bloggers;
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A percepção pública da responsabilidade comunicacional da blogosfera.
…ler restante
Diz o Filinto Melo:
Clamou-se tanto contra a falta de animação na cidade do Porto que quando ela surge… chama-se a polícia e fala-se de botellón. Não é fácil entender que “a movida” - porque não lhe chamam movida e em vez de botellón? - que se passa no centro da cidade, seja de dia ou de noite, seja contraproducente à ideia de revitalizar o Porto. Não o Porto das “instituições” mas o Porto da gente. Como diria o Chichorro, a lei do tabaco e a colocação de esplanadas fez mais pela animação da cidade do que anos de uma política coerente das instituições.
E quem passe pelas ruas do Porto sabe bem a falta que faz a “movida”. E a seguir? Corpo de Intervenção para o “Piolho”? O que se quer, afinal, é isto…
A minha opinião acerca do assunto é extremamente simples e baseia-se na presunção de que cada um de nós tem todo o direito de procurar a sua felicidade.
Assim, esta matéria é uma falsa questão, se vista por uma lente minimanente racional, que nem deveria ser necessária. Eu, pelo menos, vejo-a a olho nú.
Qualquer um de nós que seja ou tenha sido casado pelo simples interesse em partilhar a sua vida com o outro, isto é, de uma forma saudável, terá, pelo menos a dado momento, “juntado os trapinhos” com o parceiro que livremente escolheu ou por quem foi escolhido - que raramente as coisas acontecem sem a atitude mais activa de um deles - e com ele vive ou viveu durante o tempo achado conveniente.
Esta situação de casado configura-se para mais além do que a simples convivência. Trata-se de assumir direitos e deveres, créditos e responsabilidades, para com o outro, para consigo próprio e, quer queiramos que não, para com a sociedade já que, desde logo, o casamento é institucional à luz da lei.
Não considero que o casamento de alguém, na sua forma normal, livre e voluntária, colida minimamente com a liberdade de outrém ou com os requisitos sociais. Não compreendo, por isso, qual a forma de se justificar a falta de direitos fundamentais de cônjuge - assistência social, visitas a hospitalizados, herança, etc. - aos homossexuais que decidam casar-se.
É simplesmente inadmissível que tal aconteça e representa, só por si, o alheamento total à condição básica de ser humano de cidadãos como eu ou qualquer um de nós.
Esta situação só pode ser admissível à luz míope das convenções retrógadas de conservadorismos anacrónicos, ou do halo obscuro da sensibilidade religiosa que, na sua quase generalidade, parou no tempo e apenas trata de, dogma após dogma, reacção após reacção, conservar a fidelidade dos que sem olhar para qualquer lado a não ser o do hálito divino se limitam a uma existência comandada por agentes do obscurantismo.
O Estado de Direito que é Portugal está ainda no limbo das obrigações para com os eleitorados colocadas à frente da coragem necessária para o combate frontal às assimetrias sociais e violações dos direitos humanos.
Se, por um lado, temos um partido cujo representante máximo afirma que o casamento se destina à procriação, como diz Manuela Ferreira Leite na sua douta sapiência da condição humana, outro há cuja opinião rebenta numa bolha em forma de “nim”, contrariando o propósito das suas próprias hostes mais progressistas - porque o são, na actualidade -, declarando o assunto como “fora de agenda”.
Compreendendo, como compreendo, a posição de Manuela Ferreira Leite, dado o seu espírito visível diariamente, já se torna difícil compreender a posição de José Sócrates, dito de um partido socialista progressista e moderno. Qual será, então, a diferença entre a direita e a esquerda (supostamente existentes e diferentes) em relação a causas que são, por si, um produto apenas e somente político?
Vendo bem, qual a discussão em torno da matéria? De um lado a obrigatoriedade da procriação - coitados dos que, casados, não procriam -, do outro, a agenda política.
A minha questão é simples: será isto um assunto a discutir em pleno século XXI?
Será que um dia havemos de discutir a possibilidade de casamento de professores, empregados domésticos, enfermeiros… e políticos?
Vem este a propósito do artigo publicado pelo Daniel Oliveira, respeitante ao inquérito ao jornalista Eugénio Queirós, cujo conteúdo parece, segundo Oliveira, ser produto da confusão na regulação e auto-regulação da comunicação social que não se consegue inserir nas novas realidades da informação e comunicação.
Mau grado a comunicação do Conselho Deontológico do Sindicato dos Jornalistas carecer, sob muitos aspectos, de precisão, não só no conteúdo como na coerência para com as suas funções, torna-se difícil ajuizar com eficácia sem a consulta do artigo que originou a referida consulta e que, para além desta, provocou já reacções da Associação Portuguesa de Deficientes, a par de outra, esta interna, da parte do seu colega de blogue, José Leirós.
Na minha opinião, Eugénio Queirós excedeu-se na linguagem de uma forma que não tem desculpa. Como ele próprio esclarece, «Admito que alguns dos termos usados não tenham sido os mais felizes…», sem deixar de dizer que «Reconheço que a liberdade de expressão tem fronteiras que muitas vezes ultrapassamos mas penso que não terá sido o caso, embora admita ter estado nos limites da mesma. Para se suscitar a discussão por vezes é preciso ousar um pouco e a blogosfera é um espaço que permite outras liberdades.»
Mas do meu ponto de vista, o que me faz mais alguma impressão é a sua declaração, segundo a qual « Para se suscitar a discussão por vezes é preciso ousar um pouco e a blogosfera é um espaço que permite outras liberdades. Obviamente que aí uso um registo que não uso quando escrevo para o meu jornal mas será desnecessário, porque creio que compreenderá, alongar-me nesta matéria.»
Este é um dos principais motivos para eu saudar a existência de blogues de jornalistas, o de poderem assim escapar a algum espartilho editorial e deontológico que a profissão e o jornal onde trabalhem lhes imponha. Mas é, também, mais uma acha para a fogueira da discussão em torno da possibilidade de um estatuto de blogger e um código ético e deontológico para esta prática.
Mas também acho que o Conselho Deontológico do Sindicato dos Jornalistas deveria preocupar-se mais com os Carlindos deste mundo, já que estes publicam aberrações em jornais.
Carlindo Vieira escreve no Diário do Minho, desta feita acerca do casamento homossexual. A chamada de atenção chega-me das mãos da Ana Matos Pires que aponta para o Pedro Morgado, responsável pela divulgação denúncia do que se traduz num insulto grave à comunidade homossexual. Lamentavelmente, no momento em que escrevo este artigo, não consigo acesso ao artigo original. Não sei se por culpa da minha rede ou por causas relacionadas com a rede do jornal, o link fornecido não chega a lado algum. Ficamos, assim, com o parágrafo reproduzido no Avenida Central que, pela qualidade que apresenta, deverá reflectir bem o tom do restante artigo do tal Carlindo Vieira:
«Por isso, com todo o respeito pelas pessoas nascidas com esse defeito e, até, pelas que ali foram cair, não podemos concordar com a equiparação dessa união ao casamento legal. Seria até caso para exclamar a conhecida frase de um pensador: – “Quanto mais conheço os homens, mais amo os cães“.»

Este parágrafo reflecte, antes de mais, a mais profunda incapacidade de compreender a homossexualidade como uma opção de vida. Para o autor, pessoa com alguma ressonância religiosa, a homossexualidade só pode ser vista como doença ou defeito ou vício. Ou se tem um defeito ou se lá foi cair.
Depois, atesta sabiamente uma conclusão com o conhecido aforismo acerca do conhecimento dos homens. Talvez isto se trate de um deslize freudiano.
Cá por mim, relacionando-me tão bem com Carlindo Vieira como me relaciono com homossexuais e, porque não, com cães - isto é, à breve distância da humanidade igual entre si e para com os animais -, e lendo os livros que leio actualmente, um tanto ou quanto diferentes dos pergaminhos religiosos que parecem povoar a mente do autor e que já tive a oportunidade de consultar, quer-me parecer que o home está a ter uma espécie de epifania: não tendo nascido defeituoso, poderá ter sentido urgências em ”ir lá cair” e, não gostando da coisa - va de retro!, literalmente - , terá acabado por se dedicar aos cães.
Cá por mim, não vem grande mal ao mundo, embora tenha algumas dúvidas em relação à vontade consciente dos canídeos em satisfazer as pretensões, decerto legítimas, de Carlindo Vieira.
Mas o que tem o facto de um comentador ser militante de um partido a ver com tempos de antena de partidos? Mas como é que a ERC pode pressionar a RTP a diminuir o espaço de Marcelo Rebelo de Sousa em dez minutos com o objectivo de «promover uma representação mais plural de forças e sensibilidades político-partidárias»?

Ficamos então a saber que Marcelo Rebelo de Sousa, afinal de contas, tem estado este tempo todo a representar o PSD. Sendo assim, porque lhe cortam apenas os dez minutos? Será que o PSD vai ficar com estes 25 minutos extra de campanha? E os outros partidos? Vão ter, cada um deles, um Marcelo Rebelo de Sousa de serviço?
A ERC está a meter-se em terrenos pantanosos e a arrastar a RTP com ela. Marcelo Rebelo de Sousa é um comentador e opina sobre as mais diversas questões, não sendo rara a crítica ao partido que apoia (ou não…). Um político, com responsabilidades partidárias ou não, não pode nem deve ser com tal conotado quando em exercício da actividade jornalística ou de opinião nos media.
É legítimo, pois, que Marcelo Rebelo de Sousa, já escaldado de outras épocas, desabafe: «Só espero que isto não seja pretexto para mais à frente a ERC querer que a RTP acabe com o meu programa».
O Daniel Oliveira chama-lhes a ASAE da democracia. Eu prefiro nem pensar nisso.
A já mais que famosa imagem de marca de Manuela Ferreira Leite, resultante de uma pretensa estratégia de sobriedade apoiada num silêncio que mais não revela o imenso vácuo de ideias que é o PSD actual, tende a acentuar-se ainda mais, a fiar na atoarda da opulência do congresso do PS em terras de Guimarães. Uma reacção um tanto ou quanto a fugir para a humildadezinha pacóvia que em outros tempos, felizmente idos, se apregoava.
Sabemos que José Sócrates vem, dia após dia, a adoptar maneirismos de Obama. Também sabemos que o PS parece apostado em adoptar algumas fórmulas de marketing político americano. O que não sabíamos é que essa forma de fazer as coisas se traduz simplesmente numa opulência insultuosa aos cidadãos vimarenenses e aos portugueses em geral. Ficamos ainda a saber, pela boca de Manuela Ferreira Leite, que a utilização de PowerPoint como teleponto é, também, uma manifestação dessa tão famigerada opulência, o que me faz pensar em que século parou a líder do PSD, no que respeita às ferramentas usadas para intervenções públicas.
Mas o maior problema do discurso de Manuela Ferreira Leite em relação ao congresso do PS é o facto de se ficar pela forma, deixando passar em branco o conteúdo. Assim, a líder do que deveria ser o maior partido da oposição deixa-se uma vez mais enredar pela falta de ideias, tentando dar ares da sua graça apelando ao fait-divers gratuito.
Manuela Ferreira Leite não está, em definitivo, bem aconselhada. Deveria saber que, se opta pela frugalidade das palavras, é escutada com duplicada atenção de cada vez que falar. Mas deveria ter presente que tal só resulta se os conteúdos interessarem e que, a não conseguir conteúdos, passará a nem sequer ter audiência que a espere.
Mas deveria saber, antes disso, que mais que estar calada, mais que criticar congressos, mais que criticar políticas, o seu trabalho é apresentar ideias e propostas. E disso não se tem visto vindo dos lados laranja. Nem isso, nem ao menos um espectáculo que nos entretenha, nem nada.
Estive a ler o artigo do Paulo Querido, publicado no Expresso, com teaser por aqui, onde poderão fazer o levantamento de algumas reacções entretanto surgidas e deixar os vossos comentários.
Esta actividade da ERC parece vir na sequência do debate sobre o possível estatuto dos blogues, promovido pelo Parlamento Europeu. Está na berlinda a discussão de um possível código deontológico da actividade de blogger.
Como diz o Paulo Querido e eu secundo, o acto da ERC é, em si, pleno de significado. Note-se que a ERC é um organismo que regula a Comunicação Social, sendo legítimo pensar por que raio vêm eles agora discutir coisas relacionadas com os blogues. Na caixa de comentários do C! é perguntado pelo José Pimentel Teixeira o que têm os bloggers a ver com comunicação social e se existirá uma acreditação, aparentemente entre alguns sorrisos, ao que é respondido que se comunica, sobre a sociedade, na sociedade, em público, para o público, talvez não seja tão ridículo assim obter uma acreditação. E sim, já existe, em congressos, nacionais e internacionais.
Acerca do debate em si, da necessidade de um estatuto que regule a actividade da blogosfera, já algumas coisas tenho escrito por aqui.
A minha primeira impressão acerca do assunto tem já alguns anos e sustentava uma teoria de auto-regulação, isto é, algo que iria funcionar no ecossistema de forma a sustentar os blogues com melhor conteúdo, o que seria premiado pelas visitas e leituras, tornando-os cada vez mais influentes. Já estão a ver a que ponto ia a minha inocência.
Seguidamente, comecei a pensar que esta situação rapidamente levaria à cristalização da blogosfera em meia dúzia de espaços centrais e uma miríade de blogues satélite a lutar por um espaço ao sol na cacofonia da discussão e da endolinkagem. Já não me enganei assim tanto.
Neste momento, já não sei o que pensar acerca da forma de regulação da actividade, excepto que, como diz o Paulo, esta é necessária. …ler restante
Estamos em época de recrutamento. Na Punchline e na YoungNetwork falam-nos de contratações. Na LPM falam-nos de contratos. Neste último, a acompanhar a o estudo em torno dos sub30, que começa no post atrás indicado e que já vai no seu quarto capítulo, em série intitulada “O retrato da geração mais nova da LPM”. E por agora é tudo, creio…
(suspiro: que faz um recém-licenciado de 44 anos de idade?)