Categoria: [ OPINIÃO ]

Educação | Adolescentes Dizem que “E-text” não é Escrita »

Nunca a necessidade de pertença foi tão grande como na actualidade. As transformações sociais verificadas nos últimos anos têm sofrido uma evolução exponencial, a transformação dos valores, a ausência de ideiais fracturantes, o consumismo exacerbado, enfim, o galope dos dias que correm num limbo que os jovens vêem - com toda a razão - como um cizentismo que os levará a lado algum, provocam a necessidade e a urgência da pertença a uma tribo que partilhe as características comuns entre os membros. A novidade deste processo reside apenas no facto de os grupos serem agora uma entidade etérea e nem sequer exigirem a presença física do indivíduo.
As consequências de toda esta situação, somadas ao mais completo alheamento por parte dos que deveriam monitorizar, analisar e intervir no processo - pais, escolas, entidades culturais, governo - são ainda difíceis de avaliar em termos de futuro. Mas o presente oferece-nos já uma visão do que acontece, emoldurada pelo entusiasmo exagerado dessas mesmas entidades que parecem colocar todas as oportunidades no quadrado desenhado no monitor e na rede global, oferecendo computadores e internet a pessoas que adquirem habilitações escolares em “segundas oportunidades” que mais não são que uma falsa esperança colocada entre mãos e que funciona apenas até terem que demonstrar os conhecimentos adquiridos e em que medida servem estes para o exercício de uma actividade.
Esta “espécie de milagre” que são as novas tecnologias de informação e comunicação parece ser, actualmente, a panaceia para todas as dores. Mas não o é. O facto é que há-de sempre existir a necessidade de fazer as coisas manualmente, o facto é que não se constroem prédios na Internet, pelo menos fisicamente habitáveis. O facto é que há-de existir sempre quem necessite de moldar o barro. Como diria um general acerca dos bombardeamentos cirúrgicos e outras espécies de barbáries, “mesmo assim, nenhuma guerra está ganha até que a bota de um soldado pise o terreno ocupado”. Creio, seguindo esta linha de raciocínio, que as escolas devem começar por formar tropas de infantaria antes de se dedicarem a manobras volantes e de balística hi-tech.
Quem tenha a minha idade lembrar-se-á facilmente dos cadernos com pauta dupla - os cadernos de “duas linhas” - para o exercício da caligrafia. Lamentavelmente, esses cadernos foram considerados como uma espécie de espartilho à liberdade da criança. Cá por mim, olhando para o que se escreve hoje em dia, sinto cada vez mais falta deles. A utilização desses cadernos estava na origem de uma coisa fundamental: a inteligibilidade da escrita, tanto na vertente da correcção do conteúdo - através da prática de cópias e ditados de textos -, como na vertente gráfica. Lamentavelmente, hoje leio textos nos quais consigo encontrar erros das mais variadas espécies e feitios, se conseguir perceber a letra.

Jornalismo | Manipulação de Imagem »

A manipulação da imagem no jornalismo é de suprema importância. Coisas simples como o enquadramento podem dar perspectivas completamente diferentes do facto relatado, a importância de um grande plano nunca foi tão grande. A imagem estática tem uma importância extrema, a significação que dela advém está intimamente relacionada com o conceito de “imagem do que era naquele preciso momento”. Não se pode, pois, por compromissos estéticos, apagar levianamente uma inscrição, uma árvore, uma pessoa que passa, sob pena de, por compromissos estéticos, a história vir sendo alterada ao sabor das preferências estéticas do momento, ou de solicitações de “estética política”, à semelhança da história fotografada do estalinismo e de outros regimes que, à esquerda e à direita a foram, também assim, reescrevendo.
Mas a inocência da imagem pode ser alterada com maior acuidade ainda, neste tempo televisivo, em que qualquer pestanejar tem um significado implícito. Talvez seja por isso que compreenda e concorde [!] com José Pacheco Pereira quando ele escreve, no Público de 10 de Maio deste ano, acerca entrevista de Manuela Ferreira Leite a Judite de Sousa, na RTP.

Manipulação das Crianças »

A meu ver, este tipo de prática não é, infelizmente, tão anormal quanto possa parecer. Se pensarmos bem, não é somente na Internet que isto se passa, bastando um passeio pelo hipermercado para observar comportamentos semelhantes. Condenável sob todos os aspectos, este tipo de marketing é dirigido a quem não tem hipótese de se defender deste tipo de atitude agressiva. Invasivo, é um marketing que não hesitará mesmo contornar a supervisão dos pais, fornecendo para tal as ferramentas necessárias às crianças e que lhes permitam fugir ao despiste do histórico no browser. Não são raros os sites que explicam como fazer isso às crianças e, observando e ligando as coisas com alguma atenção, poderemos chegar à conslusão que estes sites não são tão inocentes como isso e que poderão revelar ligações a empresas ou produtos. De clique em clique, as crianças acabam por lá ir parar.

Cabe-nos a nós, enquanto consumidores dos produtos e da Internet, assegurarmos a devida regulação desta actividade. A melhor forma é o protesto veemente, por e-mail, por denúncia na blogoesfera [lembram-se da campanha da cerveja hetero?], por medidas mais censórias como o bloqueio do browser a esses sites. E cabe-nos, sobretudo, o esforço de não cairmos nós próprios na esparrela…

Algum dia os Políticos terão que Confrontar a China »

A presença dos representantes nacionais nos Jogos Olímpicos legitimiza as acções do governo chinês e falsamente cataloga a sua actuação como benigna para o seu povo. Os recentes acontecimentos de repressão no Tibete e as respostas da China às muitas controvérsias originadas estão sob o escrutínio internacional enquanto a China continua com a preparação dos Jogos. A contínua recusa do governo chinês em enfrentar a controvérsia impede os necessários progressos da região e contribui para o descontentamento geral. O alheamento dos representantes das nações em relação a estas e outras faces da política do governo de Pequim leva a que possam ser continuadas políticas de opressão política, de sinistros ambientais, de supressão de minorias étnicas e violação de direitos humanos.
Apesar das gentis chamadas de atenção ao governo chinês por parte de alguns governos em relação aos seus actos, a atitude de Pequim permanece autista. Os incidentes passados são evidência da ignorância propositada destes avisos por parte da China. Para além disso, a imposição de medidas drásticas, como embargos comerciais, deveria ser seriamente considerada, e não serem despachadas como simples ameaças sem fundamento.

Ainda em Torno do “Efeito Lusa” [II] »

Afinal de contas, voltamos à dicotomia da redundância/entropia, à preservação da blogoesfera enquanto telenovela contínua, cheia de grandes planos e a dificultar a visão em perspectiva. Lamento mas o que observo é que as notícias que importam pouco têm a ver com os editores. São antes avaliadas por milhares, que decidem o que importa ou não, sendo o papel dos editores tão simplesmente o de colocarem a sua escolha á prova. Isto quer apenas dizer que existe um negócio de notícias, no qual apenas é importante aquilo que tem aceitação no mercado. O Paulo perguntava-me, aqui há uns dias, o que está entre o jornalista e o mercado. Ainda não sei, mas começo a crer que não existe nada.