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Jornalismo | Manipulação de Imagem »

A manipulação da imagem no jornalismo é de suprema importância. Coisas simples como o enquadramento podem dar perspectivas completamente diferentes do facto relatado, a importância de um grande plano nunca foi tão grande. A imagem estática tem uma importância extrema, a significação que dela advém está intimamente relacionada com o conceito de “imagem do que era naquele preciso momento”. Não se pode, pois, por compromissos estéticos, apagar levianamente uma inscrição, uma árvore, uma pessoa que passa, sob pena de, por compromissos estéticos, a história vir sendo alterada ao sabor das preferências estéticas do momento, ou de solicitações de “estética política”, à semelhança da história fotografada do estalinismo e de outros regimes que, à esquerda e à direita a foram, também assim, reescrevendo.
Mas a inocência da imagem pode ser alterada com maior acuidade ainda, neste tempo televisivo, em que qualquer pestanejar tem um significado implícito. Talvez seja por isso que compreenda e concorde [!] com José Pacheco Pereira quando ele escreve, no Público de 10 de Maio deste ano, acerca entrevista de Manuela Ferreira Leite a Judite de Sousa, na RTP.

Ainda em Torno do “Efeito Lusa” [II] »

Afinal de contas, voltamos à dicotomia da redundância/entropia, à preservação da blogoesfera enquanto telenovela contínua, cheia de grandes planos e a dificultar a visão em perspectiva. Lamento mas o que observo é que as notícias que importam pouco têm a ver com os editores. São antes avaliadas por milhares, que decidem o que importa ou não, sendo o papel dos editores tão simplesmente o de colocarem a sua escolha á prova. Isto quer apenas dizer que existe um negócio de notícias, no qual apenas é importante aquilo que tem aceitação no mercado. O Paulo perguntava-me, aqui há uns dias, o que está entre o jornalista e o mercado. Ainda não sei, mas começo a crer que não existe nada.

Ainda em Torno do “Efeito Lusa” »

A realidade da web 2.0 é que uma ínfima percentagem de utilizadores dita os conteúdos que os restantes comentam e ligam nos seus blogues. A facilidade das hiperligações assim o dita e a necessidade de actualização dos blogues [especialmente por parte dos mais “verdes”, ainda possuídos pela “febre” da publicação], assim o determina. Por fim, a ditadura das audiências, também por aqui visível, a isso o obriga. É desta forma que a criação na blogoesfera tem dedicado a maior parte do seu tempo, não à conversa e às opiniões originais acerca do que outros escrevem, mas sim à cópia exaustiva de tudo quanto possa significar um post a contribuir para uma boa localização nos resultados de busca e rankings diversos. Procura-se a hiperligação em detrimento da função de meta-informação, a que é mais distintiva deste sistema de comunicação.

Mas, afinal, o que fazer em relação ao assunto, uma vez que, claro está, é impossível escapar à ditadura do logaritmo e os bons resultados dependem, em muito, da forma como abordamos esta relação? Isto é, como faço para que este blogue surja conceituado e lido pelo seu conteúdo e isenção, pela independência em relação à teia de influências característica do meio? Ou ainda, o que fazer para conseguir estabelecer uma relação com os leitores baseada na originalidade e sem recurso a ligações aos “conceituados”, apenas com o sentido no ranking? Responda quem souber.