» Carlos José Teixeira em Mai 14, 2008 arquivado em sociedade | 1 Reposta
Nunca a necessidade de pertença foi tão grande como na actualidade. As transformações sociais verificadas nos últimos anos têm sofrido uma evolução exponencial, a transformação dos valores, a ausência de ideiais fracturantes, o consumismo exacerbado, enfim, o galope dos dias que correm num limbo que os jovens vêem - com toda a razão - como um cizentismo que os levará a lado algum, provocam a necessidade e a urgência da pertença a uma tribo que partilhe as características comuns entre os membros. A novidade deste processo reside apenas no facto de os grupos serem agora uma entidade etérea e nem sequer exigirem a presença física do indivíduo.
As consequências de toda esta situação, somadas ao mais completo alheamento por parte dos que deveriam monitorizar, analisar e intervir no processo - pais, escolas, entidades culturais, governo - são ainda difíceis de avaliar em termos de futuro. Mas o presente oferece-nos já uma visão do que acontece, emoldurada pelo entusiasmo exagerado dessas mesmas entidades que parecem colocar todas as oportunidades no quadrado desenhado no monitor e na rede global, oferecendo computadores e internet a pessoas que adquirem habilitações escolares em “segundas oportunidades” que mais não são que uma falsa esperança colocada entre mãos e que funciona apenas até terem que demonstrar os conhecimentos adquiridos e em que medida servem estes para o exercício de uma actividade.
Esta “espécie de milagre” que são as novas tecnologias de informação e comunicação parece ser, actualmente, a panaceia para todas as dores. Mas não o é. O facto é que há-de sempre existir a necessidade de fazer as coisas manualmente, o facto é que não se constroem prédios na Internet, pelo menos fisicamente habitáveis. O facto é que há-de existir sempre quem necessite de moldar o barro. Como diria um general acerca dos bombardeamentos cirúrgicos e outras espécies de barbáries, “mesmo assim, nenhuma guerra está ganha até que a bota de um soldado pise o terreno ocupado”. Creio, seguindo esta linha de raciocínio, que as escolas devem começar por formar tropas de infantaria antes de se dedicarem a manobras volantes e de balística hi-tech.
Quem tenha a minha idade lembrar-se-á facilmente dos cadernos com pauta dupla - os cadernos de “duas linhas” - para o exercício da caligrafia. Lamentavelmente, esses cadernos foram considerados como uma espécie de espartilho à liberdade da criança. Cá por mim, olhando para o que se escreve hoje em dia, sinto cada vez mais falta deles. A utilização desses cadernos estava na origem de uma coisa fundamental: a inteligibilidade da escrita, tanto na vertente da correcção do conteúdo - através da prática de cópias e ditados de textos -, como na vertente gráfica. Lamentavelmente, hoje leio textos nos quais consigo encontrar erros das mais variadas espécies e feitios, se conseguir perceber a letra.
» Carlos José Teixeira em Mai 9, 2008 arquivado em sociedade | 3 Repostas
A meu ver, este tipo de prática não é, infelizmente, tão anormal quanto possa parecer. Se pensarmos bem, não é somente na Internet que isto se passa, bastando um passeio pelo hipermercado para observar comportamentos semelhantes. Condenável sob todos os aspectos, este tipo de marketing é dirigido a quem não tem hipótese de se defender deste tipo de atitude agressiva. Invasivo, é um marketing que não hesitará mesmo contornar a supervisão dos pais, fornecendo para tal as ferramentas necessárias às crianças e que lhes permitam fugir ao despiste do histórico no browser. Não são raros os sites que explicam como fazer isso às crianças e, observando e ligando as coisas com alguma atenção, poderemos chegar à conslusão que estes sites não são tão inocentes como isso e que poderão revelar ligações a empresas ou produtos. De clique em clique, as crianças acabam por lá ir parar.
Cabe-nos a nós, enquanto consumidores dos produtos e da Internet, assegurarmos a devida regulação desta actividade. A melhor forma é o protesto veemente, por e-mail, por denúncia na blogoesfera [lembram-se da campanha da cerveja hetero?], por medidas mais censórias como o bloqueio do browser a esses sites. E cabe-nos, sobretudo, o esforço de não cairmos nós próprios na esparrela…
» Carlos José Teixeira em Mai 2, 2008 arquivado em sociedade | 0 Repostas
COFEE é o acrónimo de Computer Online Forensic Extractor, uma “thumb-drive” USB que a Microsoft disponibilizou discretamente a algumas agências de segurança em Junho passado. Trata-se de um pequeno aparelho que os investigadores podem utilizar e que descarrega rapidamente dados de computadores suspeitos de estarem relacionados com práticas criminosas.
O aparelho contém 150 comandos que conseguem reduzir substancialmente o tempo necessário para conseguir provas digitais, desencriptando passwords e analisando, não só a actividade do computador na Internet, como também os dados armazenados no disco rígido. Mais de dois mil agentes em 15 países, entre os quais a Polónia, as Filipinas, a Alemanha, a Nova Zelândia e, claro, os Estados Unidos, estão actualmente em posse do aparelho, que a Microsoft disponibiliza gratuitamente.
» Carlos José Teixeira em Abr 25, 2008 arquivado em sociedade | 0 Repostas
Ora passou-se porém
que dentro de um povo escravo
alguém que lhe queria bem
um dia plantou um cravo.
Ary dos Santos
» Carlos José Teixeira em Abr 8, 2008 arquivado em sociedade | 1 Reposta
O decreto da falência do neo-liberalismo vem dos lados do Fundo Monetário internacional. Dominique Strauss-Khan, em entrevista ao Financial Times, declara que é necessário fazer frente à crise do sistema financeiro internacional, solicitando uma intervenção directa do estado nos mercados financeiros, no que refere à aplicação de políticas monetárias e orçamentais. Assim, Stauss-Kahn parece apoiar a tendência cada vez mais referida para a aquisição por parte dos governos dos títulos que mais problemas causem nas contas das instituições financeiras, transformando-os em dinheiro público e retirando-os das mãos dos bancos, com o objectivo de reduzir a incerteza que se vive nos mercados mundiais.